Terça-feira, 10 de Outubro de 2006

A minha lua

A minha lua

Cai a noite: Me fui sentar
Sobre o muro da minha rua
E me pus a esperar
Que no Céu visse despontar
O rosto da minha Lua...
Com ela precisava desabafar
Retalhes de uma paixão
Porque só ela sabia escutar
A voz do meu coração...
Ali vem o astro saudoso
Rompe a custe um plúmbeo Céu
Num gesto carinhoso
Aos poucos levanta seu véu...
Trás a terna cor de prata
Nas águas do mar se retrata
Acarinha o campo em flor
As estrelas lhe fazem cortejo
Iluminando o fugaz desejo
Dos corações sedentos de amor...
Meiga lua! Os teus segredos
Onde os deixaste ficar?
Deixaste-os entre os arvoredos
Ou nas praias de além-mar?...
Vem! falar com este teu amigo
Não dos segredos teus
Mas senta-te aqui comigo
Deixa-me desabafar os meus...
Uma coisa te quero pedir
Toma esta chave para a tua mão
E agora ajuda-me abrir
As portas do meu coração
Para que possas usufruir
Dos segredos que lá estão...
Vamos abrir com cuidado
Tenho lá segredos de valor
Sim. Esse que vês desse lado
É o segredo de um amor
Um amor que o tempo levou
Mas que sinceramente me causou
Horas de tristeza e dor
Como também me proporcionou
Momentos de alegria e fervor...
Um amor parecido com o vento
Tinha épocas que até era perfeito
Quando vem com o intento
De se aconchegar em meu peito...
Mas sem motivo surgia o momento
Em que partia sem um adeus
Deixando ao meu sentimento
A herança do tormento
E a saudade dos olhos seus...
Dali a tempos voltava
Dizendo que me amava
Arrependida naquela hora
Eramos felizes novamente
Até que de repente
Voltava a ir embora...
À medida que o tempo passava
Tanto ia como voltava
Ao sabor dos seus ideias
Até que o meu coração pensou
E disse, agora acabou
Tu comigo não brincas mais...
A Lua. Olhou para mim
Pegou minha mão e me disse assim
Amigo: O amor é doce de saborear
Mas como deves compreender
Não vale a pena sofrer
Por quem não sabe amar...

À minha Lua agradeci
E foi então que entendi
As minhas horas amarguradas
E a seguir pensei a fundo
Que há pessoas neste Mundo
Que não merecem ser amadas...
No entanto, continuo a pensar
Entre as paredes da solidão
Que vale sempre a pena amar
E com carinho alimentar
A sede do nosso coração...
A Paixão é sempre bem-vinda
Se construída com lealdade
E o Amor é a coisa mais linda
Que Deus ofereceu à Humanidade.

                  Autor: Hélio Costa

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publicado por Soldourado54 às 19:55
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Se eu um dia fosse vento...

Se eu um dia fosse vento

A minha primeira vontade
Era varrer da terra o tormento
Que assola a humanidade
Começando pelo armamento
Que mata sem piedade
Crianças a cada momento
Algumas em tenra idade
Se eu um dia fosse vento
Varria a ganância e a maldade
De forma que o sofrimento
Desse lugar à felicidade
Das nações com mais riqueza
Campos de trigo eu varria
E no acto de nobreza
Pelos pobres distribuia
Até ficar com a certeza
Que os filhos da pobreza
Tinham o pão de cada dia
Abrandaria a minha corrente
Poupava toda a flor
E deslizava suavemente
Entre os lábios do meu amor
Varria as doenças maliciosas
O câncro e outras mais
Que sacrificam as nossas rosas
Nas camas dos hospitais
Varria a mentira e o egoísmo
Varria o ódio profundo
E varria o terrorismo
Que assombra o nosso mundo
Varria as maldições
De todos os continentes
Abria as portas das prisões
E libertava os inocentes
Varria certas decisões
De alguns chefes de nações
Que espezinham a sociedade
Varria minas e canhões
Fazia valer a verdade
Até que todos os corações
Se amassem em liberdade

                                                     Autor: Hélio Costa

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publicado por Soldourado54 às 19:48
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"Tu foste"

"TU FOSTE"

Tu foste, a flor que eu amei
Arco íris que enalteci
Sonho que sonhei
Corpo que brindei
Água que bebi
Estrada que caminhei
Flor que cultivei
Jardim onde me perdi...
Foste a magia de uma tarde
Raizes de uma ilusão
Brasa que ainda arde
Entre as cinzas do meu coração...
Foste o mar que espreitou
Momentos de paixão,
És a fragância que restou
De uma flor que murchou
Na palma da minha mão...
Foste a flor que eu adorei
Com todo o meu fervor
Foste meta que não cheguei
Cume onde não hasteei
A bandeira do meu amor...
Foste rio de formosura
Teus gestos eram sábios
Foste mar de ternura
E a saliva de doçura
Que banhou os meus lábios...
Foste ferida que fez doer
És magia que evaporou
Vulto difícil de compreender
Livro que não acabei de ler
Porque o tempo não deixou...
Foste flor que brotou
Numa tarde á beira-mar
Foste nuvem que passou
Foste fonte que secou
Tanta vez sem avisar...
Foste canção que escutei
Horizonte de mil desejos
Praia onde me embalei
Onde adormeci e acordei
Na melodia dos teus beijos...
Hoje... És rascunho dolorido
Estrada sem sentido
Sonho sem direcção
História que ainda gosto de lembrar
Mas que deixou de ter lugar
Nas páginas do meu coração.


                 Autor: Hélio Costa

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publicado por Soldourado54 às 19:30
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"Hoje eu queria"

"HOJE EU QUERIA"

Já não adianta escrever
Poemas e mais poemas
Tentando entre eles esconder
Uma parte do meu sofrer
E a cor dos meus dilemas...
Não adianta escrever a toda a hora
Poemas e poemas sem fim
Como estou fazendo agora
No intento de por para fora
O que explode dentro de mim...
Nem sei porque me atrevo
Fazer dos poemas que escrevo
Retalhos de uma paixão
Dou-lhes asas para poderem voar
Mas acabam por desaguar
Nas águas da desilusão...
Hoje o que eu queria
Era fazer algo diferente
Viajar na magia
Embalar-me numa melodia
E adormecer docemente...
Queria andar pelo céu e procurar
Uma estrela que fosse só minha
Uma estrela para ser meu par
E comigo caminhar
Na estrada que se avizinha...
Hoje eu queria poder andar
Nos flocos das nuvens para aliviar
O cansaço da minha dor
Queria aprender a sorrir
E nunca mais confundir
Amizade com amor...
Hoje eu queria mesmo adormecer
Sobre uma nuvem que flutua
E lá de cima poder ver
O sol do amor a nascer
De mão dada com a lua...
Queria ver a chuva cair
Salpicando o rosto do mar
Queria ver o amor florir
E de novo poder sentir
Aquela vontade de amar...
Hoje eu queria viajar
Nos braços da noite estrelada
Queria com ela dançar
Até ver o sol raiar
Das entranhas da madrugada...
Queria sentir o calor da noite afável
Juntar os pedaços do meu coração
E nesse momento agradável
Ver se ela ainda é responsável
Pelos impulsos desta paixão.

                                                                                        Autor: Hélio Costa

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publicado por Soldourado54 às 19:27
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