Sábado, 8 de Julho de 2006

Saudade à beira mar

Fui pela minha ilha passear
Entre arbustos flores e mondas
E acabei por me sentar
Num pedrinha à beira-mar
Apreciando as suas ondas
 
As ondas deslizavam pela baía
Cantando hinos de liberdade
E em cada onda luzidia
O meu olhar nela via
O espelho da minha saudade
 
A saudade que me tem acompanhado
Muito custa a suportar
Tanto que eu tenho lutado
Mas como resultado
Nunca a consigo matar
 
A saudade é fumo que passa
De algo que por nós passou
É bafo numa vidraça
É folha seca que esvoaça
De uma árvore que se secou
 
A saudade de mansinho
Juntou-se à minha solidão
Abraçou-me com carinho
E acabou por fazer seu ninho
Dentro em meu coração
 
Saudade é uma alma a delirar
É uma dor que de nós se apoderou
É um saudoso lamentar
É um coração a chorar
Por algo que o tempo levou
 
Desde que te conheci
De tudo faço para ser teu
No tempo me perdi
Vivo tanto para ti
Que já nem sei se sou eu
 
Parece contradição
Ou seja lá o que for
Não gosto de escravidão
Mas tenho um coração
Que é escravo do amor
 
Quando o lar do coração
Não aquece a felicidade
Morre o fogo da ilusão
Ficando a solidão
E a cinza da saudade
 
Esta minha vida parece
Andar à procura de alguém
Tanto acorda como adormece
Num dia a esperança cresce
E no outro a saudade vem
 
Nas horas solitárias da vida
Como é bom o doce meditar
E de mente desinibida
Olhar a estrada da vida
Que se estende sobre o mar
 
Esse mar que beija os Açores
Com suas ondas em maresias
Ondas embrulhadas em flores
Que nos vem falar de amores
De saudades e alegrias...
 
 
A ti, que vieste ao meu espaço
Te entrego a minha lealdade
A ternura do meu abraço
E a minha sincera amizade

Helio Costa
publicado por Soldourado54 às 13:27
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3 comentários:
De Azoriana a 8 de Julho de 2006 às 15:00
Para mim também foi surpresa
Encontrar um ser que abraça o verso
Ó meu Deus quanta beleza!
Bem-vindo a este universo.

Tua poesia alegra nosso dia
Envolve-se de tonalidades
Esse azul da tua maresia
Aposto que acolherá Amizades.

:)
De Azoriana a 8 de Julho de 2006 às 23:05
Hoje, dia 8 de Julho de 2006, registo com muito agrado ter conhecido o Museu do Carnaval da Ilha Terceira "Hélio Costa". Esta a verdadeira homenagem que se faz em vida a este Doutor na arte das Danças e Bailinhos.
Deixo aqui um link para as fotos que consegui e que pode ver em http://fotos.sapo.pt/azoriana/gallery/0000ze1x
Ofereço-lhe, apenas, umas linhas de sincera homenagem:

É o homem das danças
Pelo Entrudo inspirado
Dono de tantas lembranças
Coroam-lhe presente e passado.
Sempre que a pena balança
Na saudação, enredo e despedida
Nasce rápido uma dança
Canta todo o gosto p'la vida.
E cada página que leio
Do livro de Hélio Costa
Não consigo ficar a meio
E até faço uma aposta
Que quem do Carnaval gosta
Fará dele seu enleio.
Um tesouro em exposição
No Museu das Lajes se alinha
Junto com tanta recordação
A homenagem se adivinha:
Um louvor da Rosa Maria
Azoriana, que mira o vento
Jamais esquecerei este dia:
Bem haja! Homem de talento!

Aquele abraço!

Azoriana
De Chicailheu a 12 de Outubro de 2006 às 19:38
A "SAUDADE" é sempre um mote que tem muito por onde se lhe pegue!
Lindíssimo!
Chicailheu

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